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Layout de restaurante: planta baixa, mesas e normas

Layout de restaurante: como dividir salão e cozinha, dispor mesas, cumprir a NBR 9050 e as saídas de emergência, organizar a cozinha e desenhar a planta baixa.

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O layout de restaurante é a planta do espaço em escala: salão, bar, caixa, banheiros, cozinha e estoque, e os caminhos de clientes, garçons e pratos entre eles. Um bom layout coloca no salão os lugares que ele comporta com conforto, deixa a equipe trabalhar no pico sem trombadas e passa pela prefeitura, pela vigilância sanitária e pelo Corpo de Bombeiros.

O Sebrae sugere cerca de 60% da área para o salão e 25% para a cozinha. A NBR 9050 exige pelo menos 5% das mesas acessíveis, com no mínimo uma. As saídas seguem a instrução técnica do Corpo de Bombeiros do estado: em São Paulo, a IT 11/2025 fixa 1,20 m de largura mínima e exige duas saídas quando um local de reunião de público passa de 300 pessoas. E nenhuma norma nacional nem o Sebrae dizem quantos m² por lugar reservar ou que distância deixar entre mesas comuns.

Este guia é informação geral, não é orientação jurídica, técnica ou de arquitetura. Regras de incêndio e sanitárias mudam por estado, e o código de obras muda por município; São Paulo é o exemplo, e o seu estado pode ser diferente. Quem decide são a prefeitura, a vigilância sanitária e o Corpo de Bombeiros do seu estado. O Platevio não registra, não emite, não aprova e não certifica nada.

Como dividir o espaço: salão e produção

O salão é onde o cliente come e é atendido: mesas, bar, espera e caixa. A cozinha é a produção: pré-preparo, cocção e lavagem. Banheiros, estoque, recebimento e escritório ficam no resto.

O guia Ideia de negócio: restaurante self-service, do Sebrae (edição com dados de 2025) diz que o salão deve corresponder a aproximadamente 60% da área total e que a cozinha deve ocupar, em média, 25%; o resto vai para depósito e banheiros. Foi escrito para self-service, então use como ponto de partida e saia dele quando houver motivo:

  • Cozinha de produção própria com cardápio longo pede mais pré-preparo e câmara fria, e passa dos 25%.
  • Lanchonete ou cafeteria de balcão pode dar mais área à frente, mas balcão, vitrine e fila comem parte dela.
  • Casa puxada pelo bar põe uma estação de trabalho (gelo, lava-copos) no meio do salão.

Antes de dividir, marque o que custa caro mudar de lugar: coifa, gás, ralos, esgoto, caixa de gordura e banheiros existentes. A cozinha costuma ir para onde isso já está, e a RDC 216 da Anvisa exige caixas de gordura e de esgoto fora da área de preparo e de armazenamento de alimentos.

Depois, ache a área real de mesas. Digamos que você alugue 200 m²: 120 m² de salão, 50 m² de cozinha e 30 m² de estoque, banheiros e escritório. Tire do salão 10 m² de entrada e caixa e 14 m² de bar: sobram 96 m² para mesas. É nessa área, e não nos 200 m² do contrato, que você desenha.

Quantos lugares cabem: mesas e a NBR 9050

Não existe norma nacional nem referência do Sebrae para dimensionar o salão em metros quadrados por lugar, nem distância oficial entre mesas comuns. Os índices de lotação dos bombeiros e dos códigos de obras servem para calcular saídas, não para decidir quantas cadeiras cabem com conforto. A tabela de “m² por lugar” que circula em português repete números americanos convertidos, sem fonte.

O que existe são as medidas da ABNT NBR 9050:2020 (versão corrigida de 2021), a norma de acessibilidade:

Medida da NBR 9050ValorItem
Módulo de referência (pessoa em cadeira de rodas)0,80 m × 1,20 m4.2.2
Giro de 180°1,50 m × 1,20 m4.3.4
Giro de 360°círculo de 1,50 m de diâmetro4.3.4
Altura do tampo da mesa acessívelde 0,75 m a 0,85 m9.3.2.3
Espaço livre sob o tampo0,80 m de largura, 0,73 m de altura, 0,50 m de profundidade9.3.2.4
Mesas acessíveis em restaurantes e barespelo menos 5% das mesas, no mínimo uma10.8.1

Repare que a norma conta mesas, não lugares.

Desenhe em vez de dividir

  1. Desenhe a área de mesas em escala, como os 96 m² acima.
  2. Recorte as mesas na medida do fornecedor, com as cadeiras puxadas e ocupadas.
  3. Posicione primeiro as acessíveis: módulo de 0,80 × 1,20 m de frente para o tampo, giro de 180° ao lado e ligação a uma rota acessível.
  4. Encaixe as demais, conte os lugares e confira com a lotação (mais abaixo) antes de comprar cadeiras.

Digamos que nos 96 m² caibam 16 mesas de dois e 8 de quatro: 24 mesas e 64 lugares. Cinco por cento de 24 dá 1,2; uma mesa só ficaria abaixo dos 5%, então são duas acessíveis. Os 64 lugares valem para esse desenho, não são densidade para copiar.

Mesas de dois, de quatro e mesas que se juntam

Salão só de mesas de quatro deixa duas cadeiras vazias sempre que chega um casal. Em duas semanas movimentadas, divida as pessoas atendidas pelas mesas ocupadas; se a média ficar perto de dois, incline o salão para mesas de dois.

  • Quadradas de dois junto às paredes se juntam em mesas de quatro ou de seis.
  • Mesmo modelo e mesma altura, para as mesas unidas ficarem niveladas.
  • Algumas de quatro fixas perto da entrada, para famílias.
  • Redondas com moderação: acomodam grupos, mas não se juntam.
  • Na mesa acessível, olhe o pé: coluna central pode comer os 0,50 m livres sob o tampo.

Circulação, rota acessível e a LBI

Distância entre mesas: o que existe

Nem a NBR 9050 nem a IT de saídas de emergência trazem distância mínima entre mesas comuns ou entre cadeiras. O que as regras pedem é rota acessível até as mesas acessíveis e até o sanitário acessível, e saídas dimensionadas. Para o resto, desenhe cada cadeira como se alguém estivesse sentado e meça a passagem a partir do encosto, não da borda da mesa, e teste com um garçom e uma bandeja cheia.

O que a Lei Brasileira de Inclusão exige

A LBI, Lei 13.146/2015, no artigo 60, § 1º, diz que a concessão e a renovação do alvará de funcionamento, para qualquer atividade, são condicionadas à observação e à certificação das regras de acessibilidade. Os artigos 56 e 57 estendem a exigência a obras, reformas e edificações de uso coletivo existentes. Na prática, um salão que ignora a NBR 9050 pode travar o alvará.

O que a NBR 9050 pede num salão

  1. Mesas acessíveis em rota acessível. Pelo menos 5% das mesas, no mínimo uma, e a rota inclui o acesso ao sanitário acessível (10.8.1).
  2. Integradas às demais, em locais onde a casa oferece todos os seus serviços (10.8.2). Mesa isolada ao lado do banheiro não cumpre a ideia.
  3. Aproximação e giro. Módulo de referência para aproximação frontal e circulação ao lado que permita giro de 180° (9.3.2.2).
  4. Passagem. Em linha reta, 0,90 m para uma pessoa em cadeira de rodas e de 1,20 m a 1,50 m para ela e um pedestre lado a lado. Portas com vão livre de pelo menos 0,80 m. Corredores de uso comum: 0,90 m até 4 m de extensão, 1,20 m até 10 m e 1,50 m acima disso; de uso público, 1,50 m.
  5. Balcões e caixas. Balcão de atendimento acessível com pelo menos 0,90 m de largura, altura de 0,75 m a 0,85 m e espaço livre embaixo (9.2.1.4 e 9.2.1.5). Caixas em rota acessível (9.2.2.1). Balcão onde se come: altura de 0,75 m a 0,85 m e circulação ao lado de 0,90 m (10.8.2.1 e 9.3.3.3).
  6. Cardápio. Ao menos um exemplar em Braille e em texto com caracteres ampliados (10.8.2.3).

Lotação, saídas de emergência e banheiros

Cada estado tem o seu Corpo de Bombeiros e as suas instruções ou normas técnicas, com números próprios. A ABNT publicou em julho de 2025 uma nova edição da NBR 9077, a norma nacional de saídas de emergência, mas quem analisa o seu projeto aplica a regra do estado. O exemplo aqui é São Paulo.

Como São Paulo classifica um restaurante

O Decreto 69.118/2024, regulamento de segurança contra incêndio do estado, coloca restaurantes, lanchonetes, bares e cafés na divisão F-8, local para refeição, do Grupo F, local de reunião de público. As saídas seguem a IT 11/2025, em vigor desde 20 de março de 2025. O documento final é o AVCB, emitido após vistoria, ou o CLCB, emitido com base em documentos.

Lotação

Lotação é quantas pessoas o projeto considera no espaço, e as saídas são calculadas a partir dela. Na IT 11, a população de cada pavimento vem dos coeficientes da Tabela 1, no Anexo A:

  1. Abra a Tabela 1 da edição vigente e leia a linha F-8 e as notas. Muitos sites ainda copiam as edições de 2011 e 2014.
  2. Converta cada área do pavimento em pessoas com o coeficiente e some tudo: essa é a população (P).
  3. Compare P com os limites da tabela logo abaixo.

Na capital, o Código de Obras (Decreto 57.776/2017) diz ainda que, em restaurante com assentos fixos, a lotação corresponde ao número de lugares. A capacidade que vale, no fim, é a do projeto aprovado.

Saídas de emergência

N = P ÷ C
Largura mínima da saída = N × 0,55 m
  • P é a população calculada.
  • C é a capacidade da unidade de passagem, quantas pessoas passam por ela em um minuto, também na Tabela 1.
  • N é o número de unidades de passagem, arredondado para cima; cada uma tem 0,55 m.

Acessos, escadas, rampas e saídas têm no mínimo 1,20 m. Digamos que a conta dê duas unidades: 1,10 m, então vale o mínimo de 1,20 m. Com três, seriam 1,65 m.

Quando a população passa deO que muda (IT 11/2025)
100 pessoas no pavimento (Grupo F)Barra antipânico nas portas das saídas de emergência
100 pessoas numa salaA porta da sala e as das rotas de saída abrem no sentido da saída
300 pessoas (Grupo F)No mínimo duas saídas, com pelo menos 10 m entre elas

A Tabela 2 da IT limita a distância até uma saída; se o projeto não mostra o layout, a distância é medida em linha reta e comparada com os limites reduzidos em 30%. Não conte com a porta dos fundos, pela cozinha, como segunda saída sem perguntar ao responsável técnico.

Pela IT 42/2025, edificações de até 750 m² com até três pavimentos, ou de até 1.500 m² com até 6 m de altura, podem seguir o Projeto Técnico Simplificado, com limite de 250 pessoas no Grupo F. Fora disso, ou quando a edificação tiver sistemas como chuveiros automáticos ou detecção e alarme, é Projeto Técnico, conforme a IT 01/2025.

Banheiros

  • Quantidade. O Código de Obras paulistano tem uma tabela de número mínimo de sanitários por atividade, com linha para bar, lanchonete e restaurante. Cada município tem a sua: faça a conta com o arquiteto.
  • Acessível. Pela NBR 9050, em uso coletivo a construir, 5% de cada peça sanitária, com no mínimo um por pavimento onde houver sanitário; em edificação a ser ampliada ou reformada, 5% de cada peça, com no mínimo um em cada pavimento acessível; em edificação existente, pelo menos um. Tem entrada independente e fica na rota acessível.
  • Equipe. O Código de Obras paulistano pede lavatório exclusivo para funcionários, e a RDC 216 proíbe comunicação direta de sanitários e vestiários com as áreas de alimentos.

Layout de cozinha industrial: fluxo e normas

A cozinha leva o alimento num sentido só: recebimento, estoque, pré-preparo, cocção, passa-pratos, salão. A louça suja volta sem cruzar a linha quente. Num projeto de cozinha industrial, isso é norma:

  • Nacional. A RDC 216/2004 segue em vigor, e a Anvisa trabalha na revisão dela: em abril de 2025, fez uma oficina de validação das alternativas regulatórias. Ela exige instalações projetadas para um fluxo ordenado e sem cruzamentos em todas as etapas, separação entre atividades por meios físicos ou outros meios eficazes contra a contaminação cruzada, e lavatórios exclusivos para as mãos em posições estratégicas da área de manipulação.
  • São Paulo. A Portaria CVS 5/2013 pede, entre outras coisas, recebimento em área exclusiva, protegida de chuva, sol e poeira. A Portaria CVS 3/2026, que substitui a CVS 5/2013 a partir de 4 de outubro de 2026, exige “fluxos contínuos e ordenados, sem cruzamentos entre etapas ou linhas do processo produtivo” (art. 137). Outros estados têm códigos sanitários próprios.
FormatoComo funcionaServe para
Linha de montagemEquipamentos em sequência, do preparo à saídaVolume alto e cardápio curto: pizza, lanche, prato feito
SetorizadaBlocos separados de pré-preparo, cocção, lavagem e estoqueCardápio variado, com várias praças
IlhaCocção no centro, setores em voltaCozinha grande e quadrada
ParalelaPraças em duas bancadas frente a frenteEspaço estreito, food truck
AbertaSem parede entre cozinha e salãoCasa que faz da cozinha parte do show, com calor e barulho à vista

Não há largura oficial entre bancadas: teste com a porta do forno aberta e alguém passando atrás. O Sebrae sugere separar a área de pratos quentes da de frios. Ponha o passa-pratos onde o garçom pega o prato sem entrar na linha, com o monitor ou a impressora de comandas virado para quem canta os pedidos, e a entrada da lavagem logo depois da porta.

Onde ficam caixa, bar, banheiros e estações

Caixa. Perto da saída, recomenda o Sebrae, e numa rota acessível, pela NBR 9050. Fora do giro da porta e da rota de fuga. Na cafeteria, a fila fica encostada na parede e a retirada fica separada.

Bar. Na entrada, pega quem passa e acolhe quem espera; no fundo, puxa gente pelo salão. Precisa de água, ralo e gelo. Deixe a retirada dos garçons na ponta mais próxima do salão.

Banheiros. Não muito longe do salão e longe da cozinha, resume o Sebrae, e as portarias paulistas não deixam as instalações dos clientes se comunicarem com a produção. O cliente chega pela rota acessível, sem cruzar o corredor dos garçons.

Estações de apoio. Uma por setor, com água, talheres, guardanapos e um aparelho de pedidos, em nichos fora do corredor principal. A mesa que ninguém quer, colada na cozinha, costuma ser o lugar certo para uma delas.

Dois exemplos: lanchonete de 120 m² e restaurante de 260 m²

Os dois são só ilustrativos: fora de escala, sem análise de nenhum órgão e com números inventados para mostrar o método.

Lanchonete ou cafeteria de 120 m²

Área
Mesas e balcão de janela48
Balcão de pedidos, caixa, café, vitrine e fila18
Entrada e retirada4
Dois banheiros (um acessível)10
Área de clientes, com banheiros80 (67%)
Pré-preparo, cocção leve e lavagem26
Estoque, geladeiras e escritório14
Produção e apoio40 (33%)

Lugares: 8 mesas de dois (16), 3 de quatro (12) e 6 banquetas no balcão de janela, 34 no total. Em 11 mesas, 5% dá 0,55, e a norma pede no mínimo uma acessível. Se o balcão de janela também serve refeição, ele entra na regra de balcões da NBR 9050; balcão alto, de banqueta, é conversa para o arquiteto antes da marcenaria.

Na lotação, a população sai dos coeficientes da Tabela 1 da IT, não do número de cadeiras que você comprou, e fila e balcão também são área. Digamos que a largura dê uma unidade de passagem: vale o mínimo de 1,20 m.

+--------------------------------------------------+
| BALCÃO DE JANELA (6 banquetas)   ENTRADA / SAÍDA |
|                                  retirada        |
|  [2]  [2]  [2]  [2]     fila junto à parede  |   |
|                                   +--------v---+ |
|  [4]    [4]    [4A]               | PEDIDO     | |
|                                   | CAIXA/CAFÉ | |
|  [2]  [2]  [2]  [2]               +------------+ |
|------------+-------------------------+-----------|
| WC   WC(A) | PREPARO / LAVAGEM       | ESTOQUE   |
+--------------------------------------------------+
A = acessível

Restaurante de 260 m²

Área
Salão de mesas110
Bar com 10 banquetas20
Entrada, recepção e espera10
Banheiros20
Duas estações de apoio6
Área de clientes, com banheiros166 (64%)
Linha quente e passa-pratos32
Pré-preparo, quentes e frios separados22
Lavagem12
Câmara fria, estoque e recebimento20
Escritório e vestiário8
Produção e apoio94 (36%)

A cozinha propriamente dita (linha, pré-preparo e lavagem) soma 66 m², cerca de 25% da área.

Lugares: 12 mesas de dois num banco corrido (24), 10 de quatro (40), 2 mesas tipo booth de quatro (8) e 1 redonda de seis (6), 78 no salão, mais 10 no bar. Em 25 mesas, 5% dá 1,25: duas acessíveis, em setores diferentes.

Se a população que a IT calcula ficar abaixo dos lugares desenhados, a diferença se resolve no projeto, com o responsável técnico, e não na compra de cadeiras. Se a população do pavimento passar de 100, entra a barra antipânico nas portas das saídas de emergência; se o próprio salão passar de 100 pessoas, a porta dele e as das rotas de saída abrem no sentido da saída.

+-----------------------------------------------------------+
| CÂMARA FRIA / ESTOQUE | LAVAGEM | PREPARO | LINHA QUENTE  |
| recebimento           | entrada |         | == PASSA ==   |
|-----------------------+---------+---------+---------------|
| WC  WC(A)  [cabine] [cabine]      EA    porta da cozinha  |
|                                                           |
| [2][2][2][2][2][2] banco corrido  [4] [4] [4] [4] [4A] (6)|
|                                                           |
| [2][2][2][2][2][2A]               [4] [4] [4] [4] [4]  EA |
|                                                           |
| BAR ============ 10 banquetas     RECEPÇÃO    ENTRADA     |
+-----------------------------------------------------------+
EA = estação de apoio · A = acessível

Como desenhar a planta baixa do restaurante

Passo a passo

  1. Meça. Peça a planta existente ao proprietário e confira com trena a laser: pilares, pé-direito, portas e janelas.
  2. Escolha a escala. No papel milimetrado, 1:50 (1 cm = 50 cm) mostra mesas e cadeiras; 1:100 mostra o conjunto numa folha.
  3. Marque o que não muda: saídas, água, esgoto, ralos, gás, coifa e quadro de luz.
  4. Divida as áreas a partir de 60% de salão e 25% de cozinha.
  5. Desenhe a cozinha junto às instalações, no sentido do fluxo, com lavatórios de mãos.
  6. Desenhe as linhas legais antes dos móveis: saídas, rota acessível e corredores.
  7. Posicione as mesas com recortes que incluam a cadeira ocupada, começando pelas acessíveis.
  8. Trace os fluxos de cliente, garçom, comida e louça suja. Onde se cruzarem, mude algo.
  9. Conte lugares, mesas acessíveis, população e largura das saídas.
  10. Teste em tamanho real com fita crepe no piso vazio, cadeiras e uma bandeja cheia. Depois leve ao arquiteto ou ao engenheiro.

Quem assina o projeto de restaurante

A planta do dono serve para pensar. O projeto que vai para a prefeitura e para os bombeiros precisa de responsável técnico:

  • Arquiteto: RRT no CAU, criado pela Lei 12.378/2010, como explica o guia do RRT do CAU/SP.
  • Engenheiro: ART no CREA, que a Lei 6.496/1977 exige em todo contrato de obra ou serviço de engenharia (Confea).
  • Acessibilidade: pela LBI (art. 56, § 1º), o conselho exige a declaração de que as regras de acessibilidade foram atendidas ao registrar a responsabilidade técnica.

Na vigilância paulista, a Portaria CVS 1/2024, republicada em maio de 2026, classifica as atividades por risco. No Risco II, a licença dispensa inspeção prévia, não as regras: a fiscalização vem depois. No texto de 2024, restaurantes (CNAE 5611-2/01) e lanchonetes (5611-2/03) eram Risco II; o anexo com a classificação mudou na republicação, então confirme a do seu CNAE. Outros estados podem analisar o projeto antes.

Ferramentas gratuitas

  • Papel milimetrado e recortes, ainda o jeito mais rápido de testar dez arranjos.
  • draw.io: gratuito, de código aberto e sem cadastro, com biblioteca de formas para planta baixa, grade com encaixe e camadas que travam as paredes.
  • Sweet Home 3D: gratuito e de código aberto, para Windows, macOS, Linux, iOS e Android, com versão no navegador, interface em português, planta 2D e vista 3D.
  • Floorplanner: conta gratuita com até 5 projetos e imagens exportadas em baixa resolução, com marca d’água (setembro de 2026).

Nenhuma confere norma nem substitui o projeto assinado.

Erros comuns

  • Dividir a área do contrato em vez da área real de mesas.
  • Medir a passagem da borda da mesa, esquecendo a cadeira ocupada.
  • Salão só de mesas de quatro para quem chega em dupla.
  • Caixa ou fila na porta ou no caminho da saída.
  • Comprar cadeiras antes de calcular a lotação.
  • Deixar mesa e sanitário acessíveis para o fim.

Onde o Platevio entra (e onde não entra)

Com a casa aberta, a planta baixa já fez o trabalho dela. O Platevio é um sistema de PDV para restaurantes que roda no navegador e tem um editor de mapa do salão: você arrasta as mesas para o layout do seu salão real. No serviço, cada mesa mostra o estado de relance: ocupada, esperando a cozinha, pronta para pagar ou fechada. Roda nos celulares, tablets e notebooks que a casa já tem, e uma mudança num aparelho aparece nos outros sem recarregar.

Sendo direto: o mapa do Platevio é um mapa ao vivo para tocar o serviço, não uma ferramenta de arquitetura ou de CAD. Não calcula lotação, largura de saída, rota acessível nem número de banheiros, não confere NBR 9050, instrução técnica ou norma sanitária, e não aprova planta nenhuma. Também:

  • Sem reservas e sem lista de espera.
  • Nada voltado ao cliente: sem cardápio por QR Code, sem pedido online.
  • Sem modo offline: o pedido precisa de internet para chegar à cozinha.
  • Não emite NFC-e nem documento fiscal nenhum, e não processa cartão.

Serve a cafeterias e bares tanto quanto a restaurantes. O pedido enviado vai para um monitor de cozinha no passa-pratos, para a impressora ou para os dois: comandas e recibos imprimem por Wi-Fi, Ethernet, USB ou Bluetooth em impressoras térmicas ESC/POS e Star Micronics. Gratuito. Sem cartão, sem plano. Com as mesas no lugar, vale testar no seu próprio salão.

Perguntas frequentes

Como fazer a planta baixa de um restaurante?

Meça o imóvel e desenhe em escala, no papel milimetrado a 1:50 ou no draw.io ou Sweet Home 3D. Marque primeiro saídas, água, esgoto, gás e coifa, depois rota acessível e corredores, e só então as mesas com as cadeiras ocupadas. O projeto oficial precisa de arquiteto (RRT) ou engenheiro (ART).

Qual a distância mínima entre mesas de restaurante?

Nenhuma norma nacional fixa distância mínima entre mesas comuns. A NBR 9050 fixa medidas para mesas acessíveis (módulo de 0,80 × 1,20 m e giro de 180° ao lado) e 0,90 m de passagem em linha reta para cadeira de rodas. Entre as outras, meça a partir da cadeira ocupada e teste com uma bandeja.

Quanto espaço reservar para a cozinha?

O guia do Sebrae para self-service fala em cerca de 25% da área para a cozinha e 60% para o salão. Cozinha de produção própria costuma precisar de mais; lanchonete que só monta, de menos.

O que a Anvisa exige no layout da cozinha?

A RDC 216/2004 pede fluxo ordenado e sem cruzamentos, separação entre atividades contra contaminação cruzada, lavatórios exclusivos para as mãos e sanitários sem comunicação direta com as áreas de alimentos. No estado de São Paulo vale também a Portaria CVS 5/2013, substituída pela CVS 3/2026 a partir de 4 de outubro de 2026.

Qual o melhor layout para restaurante pequeno?

O que parte de como os clientes chegam: mesas de dois que se juntam, junto às paredes; cozinha num sentido só; caixa fora da porta; mesa acessível integrada; e passagem para o garçom nunca esperar.

Quantas pessoas cabem no meu restaurante?

Quem define é o projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros do seu estado. Em São Paulo, a população sai dos coeficientes da Tabela 1 da IT 11, e dela dependem a largura das saídas, a barra antipânico (acima de 100 pessoas no pavimento) e a segunda saída (acima de 300).

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