PDV é a sigla de ponto de venda. Num restaurante, o sistema PDV é o software em que o salão anota os pedidos e fecha as contas, mais os aparelhos em que esse software roda. É onde o pedido existe entre o momento em que o cliente fala e o momento em que a mesa paga: o garçom lança, a cozinha lê, o salão acompanha e a conta soma.
Esse ciclo é o trabalho inteiro. A maquininha de cartão não é um PDV, mesmo quando vem vendida junto. Estoque, ficha técnica, iFood e fidelidade também não são o PDV: são módulos vendidos em cima dele, e só funcionam tão bem quanto o ciclo do pedido que está embaixo.
No Brasil existe ainda uma terceira confusão, e ela custa caro: muita gente chama de PDV o sistema que emite a NFC-e. A emissão fiscal costuma vir no mesmo pacote, mas é outro trabalho, com regras da SEFAZ do seu estado, e nem todo PDV faz. Saber separar essas partes é o que permite ler um orçamento.
O que é um PDV, e o que ele não é
“Ponto de venda” era, na origem, o lugar onde o dinheiro troca de mão: o caixa. Numa loja isso continua quase verdade, porque a venda acontece nos dez segundos de passar o código de barras e pagar. É dali que vem “frente de caixa”, o nome que o varejo usa para praticamente a mesma coisa.
Num restaurante a venda não funciona assim. Ela começa na mesa, passa pela cozinha, ganha mais uma rodada de chope e termina na mesma mesa uma hora depois, muitas vezes paga por três pessoas de dois jeitos diferentes. O PDV de restaurante existe para manter essa venda inteira do começo ao fim.
Não é uma caixa registradora
A caixa registradora soma a venda, guarda a gaveta de dinheiro e imprime o cupom. Ela não sabe que a mesa 12 existe, que um dos X-saladas vai sem cebola nem que duas pessoas querem pagar separado. O PDV acompanha o pedido desde que ele é anotado, e não só na hora de pagar.
Não é a maquininha
A maquininha passa o cartão e manda o dinheiro pela adquirente, como Stone, Cielo, Getnet ou PagBank. Alguns PDVs vêm com maquininha própria e exigem a adquirente deles. Outros só registram que a conta foi paga no cartão, na maquininha que você já tem.
Misturar as duas coisas é o erro mais caro desta categoria. Uma maquininha amarrada a um sistema decide a sua taxa de cartão enquanto você ficar com ela.
Não é o emissor de nota fiscal
A NFC-e, Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica, é o documento fiscal eletrônico da venda ao consumidor final e substituiu o cupom fiscal emitido por ECF. Muitos PDVs brasileiros emitem NFC-e como módulo; outros não emitem documento nenhum. Em São Paulo, o uso do SAT-CF-e terminou em 31 de dezembro de 2025 e, desde 1º de janeiro de 2026, as operações de varejo do estado emitem NFC-e (Portaria SRE nº 79/2024, segundo o Conselho Regional de Contabilidade de SP).
Pergunte sempre se a emissão está incluída ou é cobrada à parte. Este trecho é informação geral, não orientação fiscal: quem responde pelo seu caso é o seu contador e a SEFAZ do seu estado.
Não é um sistema de gestão completo
Estoque, ficha técnica, CMV, escala, folha, fidelidade e integração com iFood muitas vezes são vendidos com o nome de PDV. São trabalhos separados, com preços separados. Muito salão pequeno roda bem com um PDV, uma planilha e um bom contador.
Como um PDV funciona num restaurante
O jeito mais fácil de entender um PDV de restaurante é seguir um pedido numa sexta à noite.
- 19:04, o pedido. A mesa 12 pede dois X-saladas, um sem cebola e outro com bacon a mais, e uma Coca. O garçom toca os itens no tablet ou no celular, coloca o adicional e a observação e envia.
- 19:04, a cozinha. O pedido aparece num monitor de cozinha ou sai como comanda impressa na passagem. O “sem cebola” vai preso ao lanche certo, e não rabiscado na margem do bloquinho. O monitor KDS é a versão em tela desse passo.
- 19:18, o salão. Os lanches saem e são marcados como servidos. Quem olha o mapa do salão vê quais mesas ainda esperam a cozinha e quais estão perto de pedir a conta, sem caçar o garçom.
- 19:40, outra rodada. Mais dois chopes entram na conta que já está aberta, e não numa nova.
- 20:02, a conta. A mesa divide. Uma pessoa paga o lanche e a Coca no cartão, na maquininha; a outra paga o resto em dinheiro. O PDV registra as duas partes e a mesa fica quitada.
- Na manhã seguinte, o registro. O que vendeu, o que foi pago em dinheiro e o que foi no cartão, e o que voltou da mesa, legível sem ninguém remontar a noite a partir do papel.
A comanda de papel faz tudo isso com bloquinho, espeto e memória. Ela quebra nas passagens: a observação que não chegou na comanda, a rodada lançada na mesa errada, a divisão que ninguém consegue refazer no fechamento. O PDV conserta as passagens fazendo todos os aparelhos lerem o mesmo pedido.
As partes de um PDV: software, equipamento e pagamento
Todo PDV é três coisas, e muitas vezes cada uma vem de uma empresa diferente. Saber qual é qual é o que permite comparar propostas.
Software
O software guarda o cardápio e os pedidos. Num restaurante ele costuma cobrir:
- O cardápio: categorias, itens, preços e adicionais, como “sem cebola” ou “bacon a mais”.
- A tela de pedidos: feita para ser tocada rápido no horário de pico.
- A cozinha: uma tela, uma comanda impressa, ou as duas.
- As mesas: um mapa do salão que mostra o que cada mesa está esperando.
- A conta: totais, divisão e a forma como cada parte foi paga.
- Os acessos: o que o garçom, o cozinheiro e o gerente podem ver e mudar.
- Os relatórios: o que vendeu, quando e por quem.
O PDV antigo instala esse software num computador no escritório. O mais novo guarda tudo nos servidores do fornecedor e abre por um aplicativo ou pelo navegador.
Equipamento
| Aparelho | Para que serve | Precisa? |
|---|---|---|
| Terminal, tablet, celular ou computador | Onde o pedido é lançado | Sim, pelo menos um |
| Celular do garçom (comanda eletrônica) | Anota o pedido na mesa | Opcional; poupa idas até o caixa |
| Maquininha | Recebe cartão | Só se você aceita cartão, e pode ser separada do PDV |
| Monitor ou impressora de cozinha | Leva o pedido aos cozinheiros | Um ou outro |
| Impressora de cupom não fiscal | Imprime a conta para o cliente | Comum, conforme a sua operação |
| Gaveta de dinheiro | Guarda o dinheiro em espécie | Só se você recebe em dinheiro |
| Roteador e uma internet estável | Liga os aparelhos | Sim, em qualquer PDV em nuvem |
Pergunte de cada linha: de quem é esse aparelho? Um tablet comprado em qualquer loja funciona com muitos sistemas. Um terminal proprietário funciona com um só.
Pagamento
Receber cartão é um serviço, não um aparelho. A adquirente leva o dinheiro do cartão do cliente até a sua conta e cobra uma taxa em cada venda, um percentual que muda entre débito, crédito à vista e parcelado. O Pix entra aqui como mais uma forma de receber, e cada maquininha trata a taxa dele de um jeito.
Os dados de cartão seguem um padrão do setor, o PCI DSS, que o PCI Security Standards Council define como uma base de requisitos técnicos e operacionais para proteger os dados de pagamento. Ele vale para lojistas, adquirentes e todos que lidam com dados de cartão, e é um dos motivos pelos quais o número do cartão costuma ficar dentro da maquininha.
Um PDV e uma maquininha trabalham juntos de dois jeitos:
- Integrado (TEF): o PDV manda o valor para a maquininha e ninguém digita duas vezes. Prático, mas costuma prender você à adquirente escolhida pelo fornecedor do sistema.
- Separado: o garçom digita o valor na maquininha e depois marca a conta como paga no PDV. Um passo a mais, mas você usa qualquer maquininha e negocia a taxa onde quiser.
Tipos de PDV
Estas são as categorias que mudam quanto você paga e o que acontece quando alguma coisa quebra.
| Tipo | Onde roda | Bom em | Cuidado com |
|---|---|---|---|
| PDV instalado (local) | Um computador ou servidor dentro da casa | Continua funcionando se a internet cai | Custo inicial, manutenção por técnico, difícil de acompanhar de casa |
| PDV em nuvem | Servidores do fornecedor, pela internet | Acesso de qualquer lugar, atualiza sozinho | Precisa de conexão; o modo offline varia muito entre fornecedores |
| PDV no tablet | Um PDV em nuvem num iPad ou tablet Android | Equipamento barato, fácil de mudar de lugar | Tablet doméstico desgasta; alguns sistemas só rodam em iPad |
| Comanda eletrônica ou PDV móvel | O celular do garçom ou um aparelho de mão | Pedido anotado onde o cliente está sentado | Tela pequena, bateria que acaba no meio do turno |
| Tudo em um, da adquirente | Software, maquininha e taxa de cartão da mesma empresa | Uma conta só, um suporte só | Equipamento e taxa presos a uma adquirente, muitas vezes com fidelidade |
| PDV no navegador | Um PDV em nuvem que abre no navegador | Roda em quase qualquer aparelho, nada para instalar | Precisa de conexão, como qualquer sistema em nuvem |
As categorias se sobrepõem: o mesmo sistema pode ser em nuvem, no tablet, com comanda eletrônica e da adquirente ao mesmo tempo. Duas perguntas cortam os rótulos:
- Onde ficam os meus dados? Numa máquina dentro da casa ou num servidor acessado pela internet. Isso decide o que acontece quando a internet ou a máquina falha.
- A que equipamento e a que adquirente eu fico preso? Isso decide quanto custa sair.
A versão longa da pergunta sobre nuvem está em em que aparelhos roda um PDV em nuvem.
O que um restaurante precisa que um PDV de loja não tem
O PDV de loja nasceu para o código de barras e a venda instantânea. Ele dá conta de um café no balcão e começa a sofrer quando a mesa 12 pede a segunda rodada. Ao comparar sistemas, confira:
- Adicionais e observações que chegam à cozinha. O “sem cebola” viaja junto com o item.
- Uma saída para a cozinha. Monitor ou comanda impressa, para ninguém repetir o pedido.
- Mesas e mapa do salão. Quais estão ocupadas, esperando comida ou prontas para pagar.
- Conta aberta. Uma conta que continua aberta a cada rodada.
- Divisão por item. Não só “divide por quatro”, mas “ela comeu o X-salada e tomou a Coca”.
- Correção nos dois sentidos. O prato que volta é resolvido sem grito na passagem.
- Cargos. O cozinheiro não precisa da tela da conta; o garçom não precisa mexer em preço.
- Velocidade no pico. Conte os toques do pedido mais comum, e depois de novo com adicional.
Uma lanchonete de balcão ou um food truck vive sem parte disso. Um restaurante com mesas e cozinha precisa de quase tudo.
Quanto custa um PDV
Custo tem um guia próprio: quanto custa um sistema para restaurante. A versão curta é que você paga até cinco coisas no Brasil, e o percentual sobre o cartão costuma pesar mais do que o resto. Os números abaixo são preços publicados no Brasil em 2026.
| Linha de custo | O que o mercado brasileiro publica (2026) |
|---|---|
| Mensalidade do software | R$ 150 a R$ 300 por mês é a faixa comum de restaurante pequeno e médio. A Tairo, por exemplo, publica planos de R$ 49,90, R$ 99,90 e R$ 249,90 |
| Implantação | R$ 200 a R$ 2.000. O Simpliza cobra R$ 300 e isenta no plano anual |
| Taxa de cartão | Taxas iniciais de 0,57% a 1,99% no débito e de 2,69% a 4,18% no crédito à vista, conforme a maquininha. No Pix, várias cobram 0%; a Cielo cobra 0,90% (comparativo publicado pela InfinitePay em julho de 2026) |
| Emissão fiscal | Módulo de NFC-e de R$ 30 a R$ 80 por mês, quase sempre à parte, e certificado digital A1 de R$ 100 a R$ 380 por ano |
| Primeiro ano completo | R$ 7.000 a R$ 15.500 para um restaurante, somando software, equipamento, certificado e taxas |
As faixas de implantação, emissão fiscal e primeiro ano são do guia de custos da Negócio Certo, publicado em julho de 2026. Repare que as taxas de cartão são “a partir de”: a taxa real depende do seu faturamento e do plano de recebimento.
O motivo de a taxa pesar tanto: digamos que o seu salão fature R$ 60.000 por mês, com R$ 20.000 no crédito à vista a 2,99%, R$ 20.000 no débito a 0,99% e R$ 20.000 no Pix sem taxa. A conta dá R$ 598 mais R$ 198, ou seja, R$ 796 por mês e perto de R$ 9.550 por ano, mais do que a mensalidade de quase qualquer sistema. Compare sempre a taxa efetiva depois de todas as tarifas, e não a do anúncio.
Como escolher um PDV
Para comparar sistemas específicos lado a lado, veja como os sistemas para restaurante se comparam. Seja qual for a sua lista, este roteiro funciona:
- Escreva primeiro como é o seu serviço. Balcão ou mesa? Quantos pontos de lançamento? Monitor de cozinha, impressora ou os dois? Como você recebe cartão e Pix hoje, e está feliz com a taxa?
- Peça as contas separadas, por escrito. Mensalidade, implantação, equipamento, taxa de cartão e módulo fiscal. Um número único esconde para onde vai o dinheiro.
- Pergunte de quem é a maquininha e de quem é a adquirente. Dá para manter a maquininha que você já tem? Se sair, o equipamento continua funcionando?
- Pergunte o que acontece quando a internet cai. A equipe continua anotando pedidos? O que acontece com eles quando a conexão volta? Teste o wi-fi nos cantos do salão onde se anota.
- Faça um teste de verdade, não uma demonstração. Peça a um garçom para lançar cinco pedidos no pico, com um adicional, um prato devolvido e uma conta dividida. Repare onde ele hesita.
- Leia a saída antes da entrada. Prazo de fidelidade, multa, renovação automática e se o cardápio e o histórico de vendas saem sem abrir chamado.
- Resolva a nota fiscal antes de assinar. Converse com o seu contador sobre o que a sua operação precisa emitir. Se o PDV escolhido não emite NFC-e, você vai precisar de um emissor separado, e isso entra na conta.
Onde o Platevio entra, e onde não entra
O Platevio é um sistema para restaurante que roda no navegador. Gratuito. Sem cartão, sem plano. Nos termos acima, é um PDV em nuvem e no navegador, e não é de adquirente nenhuma. Roda nos celulares, tablets e notebooks que a casa já tem, e foi escrito para cafeterias, bares, lanchonetes, padarias, food trucks e restaurantes pequenos e independentes.
O que ele cobre é o ciclo do pedido descrito neste guia:
- Cardápio com categorias, itens, preços, descrições e adicionais, editado de qualquer aparelho.
- Pedidos na mesa ou sem mesa nenhuma, cada um com um número que a equipe consegue chamar em voz alta. Adicionais e observações vão para a cozinha, e uma rodada nova entra na conta aberta.
- Monitor de cozinha em que o item é marcado como pronto, depois servido, e volta atrás quando o prato retorna. Cupom e comanda de cozinha saem por WiFi, Ethernet, USB ou Bluetooth em impressoras térmicas ESC/POS e Star Micronics; a cozinha pode usar tela, impressora ou as duas.
- Mapa do seu salão, com cada mesa mostrando se está ocupada, esperando a cozinha, pronta para pagar ou quitada.
- Conta dividida por item, com cada parte registrada como paga em dinheiro ou no cartão.
- Cargos para donos, gerentes, garçons e cozinheiros, e todos os aparelhos lendo o mesmo serviço ao vivo.
O que ele não faz, sem rodeio:
- Não emite NFC-e. Nem NFC-e, nem NF-e, nem cupom fiscal, nem documento fiscal de nenhum tipo. O Platevio não é emissor fiscal, não se comunica com a SEFAZ nem com a Receita Federal e não substitui o sistema fiscal que o seu contador indicar. Se a sua operação precisa emitir nota, você vai precisar de outro sistema para isso.
- Não processa cartão e não recebe Pix. O dinheiro entra pela sua maquininha e pela sua conta; o Platevio só registra a parte paga. Não tem pagamento integrado e não tira percentual das vendas.
- Não funciona offline. Um pedido precisa de internet para chegar à cozinha.
- Sem estoque, ficha técnica nem cálculo de CMV.
- Sem folha, escala, fidelidade, vale-presente nem promoções.
- Ainda sem pedido para viagem ou delivery. Todo pedido é marcado como consumo no local, mesmo sem mesa.
- Nada voltado ao cliente: sem cardápio por QR Code, pedido online ou totem, e sem integração com iFood ou outros aplicativos de entrega.
- Sem reservas, sem visão de várias lojas e sem relatórios avançados, como tendência por item.
Se a sua casa já tem maquininha, uma internet confiável e resolve a nota fiscal por outro caminho, e o que falta é pedido, cozinha, salão e conta funcionando no mesmo lugar, dá para ver como o Platevio roda um serviço. O cadastro pede um nome, o restaurante e uma senha. Se você precisa de NFC-e no mesmo sistema, modo offline, pagamento integrado ou estoque, escolha um PDV que tenha isso.