Impressora não fiscal é a impressora térmica comum de restaurante: imprime a comanda da cozinha, o pedido do bar e a conta do cliente, mas não guarda nenhum dado fiscal. Ela não tem memória fiscal, não autentica venda nenhuma e não precisa ser autorizada pela Sefaz. Desde que a NFC-e substituiu o antigo cupom do ECF, é também nela que se imprime o DANFE NFC-e, o papel que acompanha a nota eletrônica.
Para um restaurante, a escolha que importa não é a marca. São três perguntas: qual largura de papel (58 ou 80 mm), como ela se liga (Wi-Fi, cabo de rede, USB ou Bluetooth) e se ela fala ESC/POS, a linguagem que a maioria dos sistemas usa para mandar a impressão.
Este guia responde às três, explica a diferença entre fiscal e não fiscal sem juridiquês, mostra como ler uma bobina térmica (80x40, 57x30) e onde pôr cada impressora para a cozinha não perder pedido. É informação geral, não orientação fiscal: o que a sua empresa precisa emitir, quem diz é o contador e a Sefaz do seu estado.
Fiscal ou não fiscal: o que muda
Até alguns anos atrás, o restaurante tinha de ter uma impressora fiscal (o ECF, Emissor de Cupom Fiscal): um equipamento lacrado, com memória fiscal, que emitia o cupom e guardava cada venda. Com a NFC-e (Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica, modelo 65), a nota passou a ser um arquivo digital, emitido por um programa e autorizado pela Sefaz pela internet.
Com isso, a impressora deixou de ser o “cérebro” fiscal. O guia da NFC-e da Sefaz de Pernambuco lista, entre os requisitos para emitir, uma “impressora comum (não fiscal), térmica ou laser”, ao lado de internet, certificado digital e um programa emissor. A Sefaz de Minas Gerais diz que não é preciso autorizar equipamento nem software na Secretaria para emitir a NFC-e, e que o cliente pode receber o DANFE por meio eletrônico em vez do papel.
| Impressora fiscal (ECF) | Impressora não fiscal | |
|---|---|---|
| Memória fiscal | sim, lacrada | não |
| Emite documento fiscal | emitia o cupom fiscal | não emite nada; só imprime |
| Precisa de autorização | sim | não |
| O que imprime hoje | — | comanda, conta, DANFE NFC-e, relatórios |
| Quem faz a parte fiscal | a própria impressora | o programa emissor de NFC-e |
Em São Paulo, onde o padrão era o SAT, a Portaria SRE 79/2024 da Fazenda paulista proibiu a emissão do CF-e-SAT a partir de 1º de janeiro de 2026: o varejo paulista também passou para a NFC-e.
O ponto que confunde muita gente: a impressora não fiscal não resolve a obrigação fiscal. Ela só põe no papel o que o emissor gerou. Se o seu restaurante precisa emitir NFC-e, quem emite é um programa emissor credenciado, com o certificado digital da empresa. A impressora só imprime.
Impressora não fiscal imprime cupom fiscal?
Imprime o DANFE NFC-e, que é a representação em papel da nota eletrônica, quando o seu emissor manda. O “cupom fiscal” no sentido antigo, do ECF, não existe mais na maior parte do país. Segundo a Sefaz-PE, o DANFE NFC-e pode sair em qualquer papel que mantenha a leitura, inclusive do QR code, por no mínimo seis meses, com largura mínima de 58 mm; A4 também é aceito.
O que a impressora imprime no restaurante
No mesmo modelo de impressora saem três papéis diferentes. O que muda é onde ela fica. (Se a casa ainda anota no papel, veja como funciona a comanda de restaurante de duas vias.)
| Onde | O que imprime | O que importa |
|---|---|---|
| Cozinha | a comanda de produção: mesa, itens, observações, sem preço | letra grande, longe do calor e da gordura |
| Bar | só as bebidas do pedido | lugar seco, perto de onde se monta o drink |
| Caixa ou balcão | a conta do cliente; o DANFE, se o emissor mandar | nome e endereço da casa, corte automático |
Um lugar pequeno começa com uma impressora só, no caixa, que imprime tudo. Quando a cozinha fica atrás de uma parede, vale ter uma impressora lá: o garçom não precisa levar papel, e a comanda chega no mesmo segundo em que foi lançada.
58 ou 80 mm: qual largura escolher
A largura é a do rolo de papel, a bobina térmica. As duas medidas que importam:
- 80 mm. É o padrão de restaurante. Cabe mais texto por linha, então “2x X-salada da casa, sem cebola” sai numa linha e se lê de longe. Use na cozinha, no bar e no caixa.
- 58 mm. A bobina vendida para ela tem 57 mm. É a das impressoras pequenas e portáteis, de delivery e de maquininha. Serve para um balcão de café ou um food truck, mas na cozinha as linhas quebram e a comanda fica comprida.
Muitas impressoras de 80 mm aceitam 58 mm com uma guia de ajuste (confira na ficha técnica); o contrário não. Se estiver em dúvida, compre a de 80 mm.
Se a impressora também vai imprimir o DANFE NFC-e, lembre do mínimo de 58 mm que a Sefaz-PE indica: as duas larguras atendem.
Wi-Fi, rede, USB ou Bluetooth
Esta é a decisão mais importante, porque define quem consegue imprimir nela.
Cabo de rede (Ethernet) e Wi-Fi: qualquer aparelho imprime
Uma impressora de rede ganha um endereço na rede do restaurante. Qualquer celular, tablet ou computador ligado na mesma rede pode mandar impressão para ela, se o sistema permitir.
- Cabo de rede (Ethernet) é o mais estável: um cabo do roteador até a impressora. Para a cozinha, é a melhor opção quando há um ponto de rede por perto.
- Wi-Fi dispensa o cabo, mas depende do sinal. Teste o sinal no lugar exato onde a impressora vai ficar (atrás da câmara fria, o sinal costuma cair) e reserve um IP fixo para ela no roteador, para o endereço não mudar sozinho.
É a melhor escolha para cozinha e bar: nenhum computador no meio, e o garçom imprime do celular.
USB: um computador é dono do cabo
A impressora USB liga com cabo em um computador. Sozinha, só esse computador imprime nela. Alguns sistemas resolvem isso deixando esse computador imprimir pelos outros: os celulares e tablets mandam o pedido para ele, e ele manda para a impressora.
É o jeito mais barato de ter uma impressora para a casa toda. A condição é que o computador fique ligado durante o serviço. Ligar a impressora USB direto num celular raramente é o caminho: costuma exigir cabo adaptador e um aplicativo ponte. Na prática, quem imprime por USB é um computador.
Bluetooth: para um balcão só
A impressora Bluetooth faz par com um aparelho próximo. O alcance é curto: alguns metros, e uma parede já atrapalha. Funciona bem num balcão de café, num food truck ou num quiosque com um caixa só. Para uma cozinha nos fundos, prefira rede ou Wi-Fi.
Resumo: qual ligação para cada lugar
| Situação | Ligação |
|---|---|
| Cozinha com ponto de rede | cabo de rede |
| Bar ou cozinha sem cabo, Wi-Fi forte | Wi-Fi |
| Um computador no caixa, orçamento curto, uma impressora para todos | USB nesse computador |
| Balcão pequeno, food truck, um caixa | Bluetooth |
Na dúvida, escolha um modelo com porta de rede. Ele funciona com quase qualquer sistema e não prende você a um aparelho.
ESC/POS: a língua da impressora
A impressora térmica não recebe um PDF nem uma foto. Ela recebe uma sequência de comandos: “esta linha em negrito”, “pule duas linhas”, “corte o papel”. O conjunto de comandos mais usado se chama ESC/POS, criado pela Epson como o sistema de comandos das suas impressoras de ponto de venda e adotado por muitos outros fabricantes.
Na prática:
- Seu sistema precisa falar a língua da impressora. Antes de comprar, confira se o programa que você usa (ou vai usar) imprime em ESC/POS, ou em qual modelo ele foi testado.
- “Compatível com ESC/POS” é o que procurar na ficha técnica. Marcas comuns no Brasil, como Epson, Elgin e Bematech, vendem modelos não fiscais com essa compatibilidade. Uma impressora barata com linguagem própria e sem ESC/POS pode só funcionar com o programa do fabricante.
- Acentos e cedilha. A impressora tem uma tabela de caracteres. Se ela estiver errada, “Porção” sai como “Por?ao”. Imprima um teste com á, ã, ç e ê antes do primeiro serviço.
Por que o celular “não acha” a impressora
O problema mais comum é achar que o celular imprime sozinho numa térmica. Não imprime: sem um programa que mande os comandos, ela não recebe nada. Quem imprime é o programa do restaurante, que precisa ter suporte à impressora e à ligação que você escolheu. Comece pelo sistema e depois escolha a impressora, nunca o contrário.
Bobina térmica: medidas, rendimento e cuidados
A bobina térmica é o rolo de papel que escurece com calor. Não usa tinta nem fita: por isso a impressora térmica quase não dá manutenção.
Como ler a medida: 80x40, 57x30
O primeiro número é a largura em milímetros; o segundo, o comprimento do rolo em metros.
| Bobina | Largura | Papel no rolo | Para quê |
|---|---|---|---|
| 80x40 | 80 mm | 40 m | a mais comum em restaurante |
| 80x30 | 80 mm | 30 m | rolo menor, troca mais vezes |
| 57x30 | 57 mm | 30 m | impressoras de 58 mm, portáteis |
Antes de comprar em caixa, confira duas coisas no manual da impressora: o diâmetro máximo do rolo que cabe nela e se ela aceita a largura. Um rolo mais comprido rende mais, mas só se couber.
Quanto rende uma bobina
Depende do tamanho da comanda. Uma conta simples de exemplo: se cada comanda de cozinha tem uns 12 cm, um rolo de 40 m dá cerca de 330 comandas (40 m ÷ 0,12 m). Se a casa imprime a comanda da cozinha e a conta do cliente, conte as duas. Meça uma comanda real sua com uma régua e faça a mesma divisão: é o jeito mais honesto de saber quantas caixas comprar por mês.
Por que o papel apaga
Papel térmico escurece com calor e apaga com luz, calor e gordura. Na prática:
- não pendure a comanda em cima da chapa, do forno ou da lâmpada de aquecimento;
- guarde as bobinas em lugar seco, fresco e escuro, não em cima do forno nem ao sol;
- se precisa guardar um papel por meses, tire uma cópia ou guarde a versão digital.
Onde colocar cada impressora
A melhor impressora falha no lugar errado. Se você ainda está desenhando a cozinha, pense na impressora junto com o layout do restaurante e a lista de equipamentos.
Na cozinha
- Longe da fritadeira, da chapa e da máquina de lavar: calor escurece o papel, e vapor e gordura entram na impressora.
- Perto do passe, numa prateleira na altura dos olhos, para o cozinheiro pegar a comanda sem se virar.
- Um trilho ou prendedor de comandas ao lado. Comanda solta na bancada molha ou some.
- Tomada e, se for de rede, ponto de rede por perto, longe da pia.
No bar
- Em prateleira seca, longe da cuba e da chopeira.
- Perto de onde o drink é montado, não do caixa do outro lado do balcão.
Uma impressora por setor
Com cozinha e bar, o ideal é cada impressora receber só a sua parte do pedido: pratos na cozinha, bebidas no bar. Isso funciona quando o sistema deixa escolher, por impressora, quais categorias do cardápio ela imprime. Uma mesa que pede um filé e dois chopes gera duas comandas, cada uma no seu lugar, sem ninguém recortar papel nem atravessar o salão.
Impressora para pedidos de delivery?
Se o que você procura é imprimir automaticamente os pedidos de um aplicativo de delivery, a pergunta é se o aplicativo ou o seu sistema imprime nela, e por qual ligação. A impressora térmica é a mesma; o que muda é quem manda a impressão.
Checklist antes de comprar
- O sistema que eu uso imprime nessa impressora? Ela é compatível com ESC/POS?
- Qual ligação faz sentido para esse lugar: rede, Wi-Fi, USB ou Bluetooth?
- O modelo exato tem a porta que eu quero? (A mesma linha costuma ter versões só USB.)
- 80 mm e guilhotina (corte automático)?
- Qual o diâmetro máximo de bobina? Comprei a bobina certa (80x40 ou 57x30)?
- Tem tomada e ponto de rede onde ela vai ficar, longe de calor, vapor e água?
- Vou precisar de uma impressora por setor (cozinha e bar)?
- Imprimi um teste com á, ã, ç e ê?
- Se preciso emitir NFC-e: já tenho emissor credenciado e certificado digital, com o contador?