Engenharia de cardápio é um jeito de decidir quais pratos manter, reprecificar, destacar ou tirar do cardápio. Você olha cada prato de um mesmo grupo com duas perguntas: ele vende? (a fatia dele nas vendas do grupo) e ele dá dinheiro? (a margem de contribuição: preço de venda menos custo da porção, em reais). As respostas colocam cada prato num de quatro quadrantes: estrela, burro de carga, quebra-cabeça e cão.
Duas linhas fazem a separação. Um prato é popular quando a fatia dele chega a pelo menos 70% de uma fatia igual: num grupo de 8 pratos principais, 1 ÷ 8 × 70% = 8,75%. Um prato tem margem alta quando a margem de contribuição dele passa da média ponderada do grupo: margem total ÷ pratos vendidos.
O método é só isso. Abaixo: os dados, as contas, um exemplo em reais, a pesquisa sobre o desenho do cardápio e os limites da matriz.
O que é engenharia de cardápio
A engenharia de cardápio foi criada por Michael Kasavana e Donald Smith, na Michigan State University, por volta de 1982, segundo a série sobre o método publicada pela AHLEI, escrita pelo próprio Kasavana. Em uma frase: o cardápio paga as contas em reais, não em percentuais.
Isso vai contra um hábito comum, o de empurrar os pratos de CMV mais baixo. A AHLEI avisa que promover itens de custo baixo costuma resultar em ticket médio e lucro bruto menores. O CMV continua dando o piso do preço, e o nosso guia de CMV e ficha técnica mostra como chegar nele, com as faixas de referência da Abrasel (25% a 40% para pratos, na cartilha de janeiro de 2026). A engenharia de cardápio começa depois que os preços existem e pergunta quais pratos sustentam a casa.
A resposta é uma grade de dois por dois, a matriz de engenharia de cardápio:
| Margem de contribuição abaixo da média | Margem de contribuição acima da média | |
|---|---|---|
| Popular | Burro de carga | Estrela |
| Pouco popular | Cão | Quebra-cabeça |
Os dados de que você precisa
Três números por prato. Num artigo de 2020 na revista Turismo em Análise, da USP, Gularte e Cardoso aplicaram o método a um gastrobar de Florianópolis com o relatório de vendas do sistema da casa e as fichas técnicas.
- Quantidade vendida por prato, num período. Quatro semanas é um tamanho prático. Use sempre o mesmo.
- O preço do cardápio. Se mudou no meio do período, use o que o cliente pagou. Deixe de fora a taxa de serviço: pela Lei 13.419/2017, a gorjeta é destinada aos empregados e não é receita própria da empresa.
- O custo da porção. O segundo artigo da série da AHLEI diz que custos completos dos itens são importantes para a análise e sugere tirar a média dos custos ao longo do ciclo de quatro semanas. Custo velho ou chutado dá uma resposta confiante e errada: monte antes a ficha técnica com fator de correção.
Um grupo de cada vez
Principal contra principal, sobremesa contra sobremesa. A AHLEI recomenda separar os itens em categorias que competem entre si, ou por período, como almoço e jantar; Gularte e Cardoso analisaram entradas, principais, sobremesas e tapas em separado. Misture e toda sobremesa cai no canto de baixo só por ser sobremesa. Pelo mesmo motivo, o executivo do almoço não disputa com o à la carte do jantar.
Limpe as contagens
Não encontramos norma publicada para isto, então leia como raciocínio nosso:
- Tire cortesias e cancelados. A cortesia soma popularidade sem margem.
- Decida como contam os adicionais, somados ao prato ou fora, e faça igual em todo período.
- Compare períodos parecidos. Carnaval, Dia das Mães, um evento fechado ou a semana da fritadeira quebrada distorcem o mix.
A matriz: popularidade e margem de contribuição
Popularidade: mix de vendas e a regra dos 70%
O mix de vendas % é a fatia de um prato nos pratos vendidos do grupo:
Mix de vendas % = vendidos do prato ÷ total vendido no grupo × 100
Um prato tem popularidade alta quando o mix fica igual ou acima de 70% de uma fatia igual. A AHLEI dá a fórmula 1 ÷ N × 70%, com N sendo o número de itens do grupo; Gularte e Cardoso usam a mesma conta e chamam os 70% de margem de segurança.
Linha de popularidade = (1 ÷ número de itens) × 70%
A linha muda com o tamanho do grupo, por isso “70%” solto não quer dizer nada:
| Itens no grupo | Fatia igual | Linha de popularidade |
|---|---|---|
| 5 | 20,0% | 14,0% |
| 6 | 16,67% | 11,67% |
| 8 | 12,5% | 8,75% |
| 10 | 10,0% | 7,0% |
| 12 | 8,33% | 5,83% |
| 16 | 6,25% | 4,38% |
| 20 | 5,0% | 3,5% |
Gularte e Cardoso dizem que essa margem compensa a variação de consumo entre os pratos, mas nenhuma fonte explica por que 70 e não outro número. Trate como convenção do método.
Margem de contribuição: a média ponderada
A margem de contribuição (MC) é o preço do cardápio menos o custo da porção. A linha que ela precisa passar é a média ponderada do grupo:
MC total do prato = MC por prato × quantidade vendida
MC média (a linha) = MC total do grupo ÷ total de pratos vendidos
Acima dessa média, MC alta; igual ou abaixo, MC baixa. No gastrobar de Gularte e Cardoso, os 6 pratos principais venderam 1.163 unidades entre julho e setembro de 2017, com linha de popularidade de 11,67% e margem média de R$ 47,39.
Não use a média simples das margens. Ela dá o mesmo peso a um prato vendido 50 vezes e a outro vendido 400. No exemplo abaixo, um prato muda de quadrante conforme a média usada.
Curva ABC não é engenharia de cardápio
A curva ABC ordena os itens pela participação acumulada no faturamento (ou na quantidade) e separa em classes A, B e C, em geral para priorizar compras e estoque. Ela olha um eixo só: um prato pode ser classe A por vender muito e deixar pouca margem, que é justamente o burro de carga. A engenharia de cardápio cruza volume com margem. Nem confunda a curva com o custeio ABC, um método de custos.
Estrela, burro de carga, quebra-cabeça e cão
As ações padrão da AHLEI são curtas: manter as estrelas, reprecificar os burros de carga, reposicionar os quebra-cabeças no cardápio e retirar os cães. Os nomes são os de Gularte e Cardoso; em outros materiais o burro de carga aparece como cavalo de batalha, e o cão como cachorro ou abacaxi.
Estrela: popular e com margem alta
Sustenta o grupo. Deixe onde o cliente encontra e proteja receita, porção e fornecedor. Se subir o preço, suba pouco e acompanhe a contagem seguinte.
Burro de carga: popular, margem baixa
O cliente gosta, mas cada prato deixa menos que a média:
- Reprecifique em passo pequeno e veja a contagem seguinte antes de subir de novo.
- Refaça o prato. Troque o componente mais caro por um de que o cliente não sinta falta, ou diminua uma guarnição. Depois, atualize a ficha técnica.
- Venda algo junto. Um adicional de margem maior aumenta o que o pedido deixa.
Não tire um burro de carga do cardápio. É por ele que o cliente vem.
Quebra-cabeça: margem alta, pouco popular
Cada prato dá boa margem, mas vende pouco. Facilite a escolha:
- Reposicione o prato para ele não ficar escondido.
- Mude o nome ou a descrição para o cliente entender o que vai chegar.
- Peça ao garçom que recomende, e deixe a equipe provar antes.
- Confira o preço. Se está muito acima do resto, uma redução pequena pode render mais no total.
Cão: pouco popular, margem baixa
A resposta padrão é tirar. Um estudo de caso de 2022 com um restaurante húngaro recomenda substituir os pratos que caem sempre aqui, e Gularte e Cardoso sugerem antes mexer na receita, no nome, na posição e na divulgação e, em último caso, substituir o prato se a aceitação não for positiva. Antes, pergunte (raciocínio nosso, não do método): ele cumpre uma função que a matriz não vê? O único principal vegetariano, o prato infantil ou uma receita que aproveita aparas de outra podem merecer o lugar. Se não, dê o espaço a um prato novo.
Exemplo completo: oito pratos principais em quatro semanas
Os números são inventados para o exemplo, plausíveis para um restaurante à la carte numa capital em 2026. O espaguete e a tilápia têm o mesmo preço e custo da porção do guia de CMV.
Passo 1: contagens, preços e custos
Quatro semanas de principais, sem cortesias nem cancelados: 1.500 pratos vendidos, em 8 opções.
| Prato | Vendidos | Mix % | Preço | Custo da porção | MC | MC total | Popularidade | MC | Quadrante |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Filé à parmegiana | 420 | 28,00% | R$ 52,90 | R$ 17,90 | R$ 35,00 | R$ 14.700,00 | Alta | Baixa | Burro de carga |
| Salmão grelhado com legumes | 260 | 17,33% | R$ 69,90 | R$ 24,40 | R$ 45,50 | R$ 11.830,00 | Alta | Alta | Estrela |
| Espaguete ao sugo | 300 | 20,00% | R$ 29,90 | R$ 4,20 | R$ 25,70 | R$ 7.710,00 | Alta | Baixa | Burro de carga |
| Picanha na chapa | 70 | 4,67% | R$ 89,90 | R$ 35,90 | R$ 54,00 | R$ 3.780,00 | Baixa | Alta | Quebra-cabeça |
| Tilápia grelhada | 90 | 6,00% | R$ 38,90 | R$ 12,17 | R$ 26,73 | R$ 2.405,70 | Baixa | Baixa | Cão |
| Risoto de cogumelos | 110 | 7,33% | R$ 49,90 | R$ 13,00 | R$ 36,90 | R$ 4.059,00 | Baixa | Alta | Quebra-cabeça |
| Costela assada com mandioca | 200 | 13,33% | R$ 64,90 | R$ 20,90 | R$ 44,00 | R$ 8.800,00 | Alta | Alta | Estrela |
| Moqueca de banana-da-terra | 50 | 3,33% | R$ 42,90 | R$ 13,20 | R$ 29,70 | R$ 1.485,00 | Baixa | Baixa | Cão |
| Total | 1.500 | 100% | R$ 54.769,70 |
O mix está arredondado em duas casas, então as linhas somam 99,99%.
Passo 2: a linha de popularidade
Fatia igual = 1 ÷ 8 = 12,5%
Linha de popularidade = 12,5% × 70% = 8,75%
Em pratos = 1.500 × 8,75% = 131,25
Um principal precisa de 132 vendas nas quatro semanas para ser popular. Parmegiana, espaguete, salmão e costela passam. O risoto, com 110, fica 22 pratos abaixo.
Passo 3: a linha da margem de contribuição
MC média = MC total ÷ total vendido
= R$ 54.769,70 ÷ 1.500
= R$ 36,51
Picanha (R$ 54,00), salmão (R$ 45,50), costela (R$ 44,00) e risoto (R$ 36,90) ficam acima. Parmegiana (R$ 35,00), moqueca (R$ 29,70), tilápia (R$ 26,73) e espaguete (R$ 25,70) ficam abaixo.
Com a média simples das oito margens, R$ 297,53 ÷ 8 = R$ 37,19, o risoto fica abaixo da linha e vira cão. Parmegiana e espaguete vendem tantos pratos que puxam a média ponderada para baixo, e é isso que a linha deve refletir. Com a média errada, um prato promissor sai do cardápio.
Passo 4: o que o CMV teria dito
| Prato | CMV do prato | Quadrante |
|---|---|---|
| Espaguete ao sugo | 14,0% | Burro de carga |
| Risoto de cogumelos | 26,1% | Quebra-cabeça |
| Tilápia grelhada | 31,3% | Cão |
| Costela assada com mandioca | 32,2% | Estrela |
| Picanha na chapa | 39,9% | Quebra-cabeça |
Pelo CMV, o espaguete parece o melhor prato e a picanha, no teto da faixa da Abrasel, o pior. Em reais, cada picanha deixa R$ 28,30 a mais que um espaguete. E a tilápia, com CMV dentro da faixa, é cão: o CMV diz que o preço cobre o custo, não que o prato vende.
Passo 5: decida prato a prato
- Salmão grelhado, estrela. Deixe como está e segure a porção e a ficha técnica.
- Costela assada, estrela. Mantenha e não mexa no preço neste período.
- Filé à parmegiana, burro de carga. O mais vendido, R$ 1,51 abaixo da média. Com R$ 2,00 a mais, a R$ 54,90, a margem vai a R$ 37,00; se seguir vendendo 420, são R$ 840,00 a mais em quatro semanas. Passa a linha deste período, mas com as mesmas vendas a média sobe para R$ 37,07 (R$ 55.609,70 ÷ 1.500) e ela continua burro de carga: o aumento rende dinheiro, não um quadrante novo.
- Espaguete ao sugo, burro de carga. R$ 10,81 abaixo da média, e é o preço de entrada do cardápio. Em vez de subir o preço, ofereça um adicional com margem própria, como frango grelhado.
- Picanha na chapa, quebra-cabeça. A maior margem e só 70 vendidas. Suba a picanha na página, reescreva a descrição e prepare os garçons. Mantenha o preço: o cliente espera que picanha custe mais, e a margem é o ponto.
- Risoto de cogumelos, quebra-cabeça. A 22 pratos de ser popular. Peça aos garçons que sugiram o risoto a quem quer um principal sem carne, com nome e descrição mais claros.
- Tilápia grelhada, cão. R$ 9,78 abaixo da média e 90 vendidas. Se nenhum outro prato usa o peixe, substitua.
- Moqueca de banana-da-terra, cão. 50 vendidas e R$ 6,81 abaixo da média, mas é o único principal vegano: uma mesa de quatro com um vegano pode ir a outro lugar sem ela. Refaça com um insumo mais barato ou suba o preço para perto do risoto; a R$ 46,90, a margem vai a R$ 33,70.
Depois, rode a mesma análise nas quatro semanas seguintes para ver se as mudanças funcionaram.
Planilha de engenharia de cardápio para copiar
Uma linha por prato, uma aba por grupo.
| Coluna | O que entra |
|---|---|
| A. Prato | Nome como aparece no cardápio |
| B. Vendidos | Quantidade do período, sem cortesias nem cancelados |
| C. Mix % | B ÷ total da coluna B |
| D. Preço | Preço do cardápio, sem taxa de serviço |
| E. Custo da porção | Da ficha técnica |
| F. MC | D − E |
| G. MC total | F × B |
| H. Popularidade | Alta se C ≥ (1 ÷ número de pratos) × 70%; senão, Baixa |
| I. MC | Alta se F > total de G ÷ total de B; senão, Baixa |
| J. Quadrante | Alta/Alta estrela, Alta/Baixa burro de carga, Baixa/Alta quebra-cabeça, Baixa/Baixa cão |
O cardápio impresso: o que a pesquisa sustenta
O cardápio é o lugar óbvio para empurrar um quebra-cabeça, e o desenho dele tem muito conselho confiante e pouca evidência.
Posição e o “ponto doce”
A ideia de que o olho do cliente vai primeiro a um ponto certo da página vem de uma pesquisa sobre o trajeto do olhar publicada em 1978 numa revista trimestral da Cornell, segundo a Nation’s Restaurant News. Um estudo de rastreamento ocular de Sybil Yang, da San Francisco State University, publicado em 2012, não encontrou evidência de ponto doce: em média, as pessoas leram o cardápio em sequência, como um livro. Foram 25 pessoas, e o estudo mediu para onde olhavam, não o que pediam, então é evidência moderada. Basta para dizer que o “triângulo dourado” e o “canto superior direito” não estão comprovados.
Mexer num cardápio real também não mostrou muito. Kincaid e Corsun trocaram o conteúdo das páginas 2 e 3 do cardápio de um restaurante e acompanharam as vendas por quatro meses: nenhuma diferença significativa. Um restaurante e uma mudança, então evidência moderada.
Na prática: ponha o quebra-cabeça onde quem lê de cima para baixo não vai pular e confira a contagem seguinte. O seu antes e depois vale mais que qualquer regra de posição.
Formato do preço
Um estudo da Cornell de 2009, de Yang, Kimes e Sessarego, testou três formatos de preço no almoço de um restaurante americano, o St. Andrews Cafe, do Culinary Institute of America: com cifrão e centavos, só o número e por extenso. No geral, o formato não foi um fator significativo no gasto. Numa comparação planejada, as mesas com o preço só em número gastaram mais, e os autores avisam que o resultado pode valer só para o almoço daquele restaurante. É um estudo de um almoço num restaurante americano, não uma recomendação para o Brasil: não encontramos estudo equivalente aqui nem regra oficial sobre omitir o “R$”, e o Procon-SP orienta afixar o cardápio com os preços “em moeda corrente”.
E disfarçar o preço no desenho do cardápio tem limite legal aqui. O Decreto 5.903/2006 considera infração usar letras de tamanho não uniforme ou que dificultem a leitura, ou preço em letra de cor igual ou parecida com a do fundo, e manda afixar a relação de preços também na entrada de restaurantes e bares. É informação geral, não orientação jurídica: na dúvida, consulte o Procon do seu estado.
Descrições
Uma linha conhecida de pesquisa sobre nomes descritivos de pratos veio de Brian Wansink, que depois dirigiu um laboratório na Cornell, com um artigo de 2001 numa revista da Cornell sobre descrições no cardápio e vendas. Em 2018, a Cornell concluiu que Wansink cometeu má conduta científica, inclusive relato incorreto de dados. Trate as conclusões dele, e qualquer percentual de aumento de vendas tirado delas, com cautela. A razão prática para uma boa descrição dispensa estatística: ninguém pede um prato que não consegue imaginar.
Preço-isca, quadros e colunas de preço
O preço-isca, um item muito caro posto para fazer o seguinte parecer razoável, foi testado sobretudo em experimentos online com escolhas hipotéticas, e os resultados não batem. Um estudo encontrou efeito nas escolhas declaradas; outro não encontrou nenhum. Sobre destacar um prato num quadro, quebrar a coluna de preços ou o número ideal de itens por grupo, não encontramos evidência confiável. Julgue pelas suas contagens.
O que a engenharia de cardápio não enxerga
A matriz é um bom ponto de partida, não um veredito.
- Mão de obra. A margem aqui usa só o custo da porção, então um prato que ocupa um cozinheiro por doze minutos parece tão bom quanto um de dois. LeBruto, Quain e Ashley propuseram em 1995 dividir cada quadrante pelo custo variável de mão de obra, segundo a revisão do estudo da Deturope. No Brasil, Linassi, Alberton e Marinho somaram ao método o custeio baseado em atividades (o custeio ABC) num restaurante oriental e acharam custos maiores e margens menores em todos os grupos, num só restaurante e em 80% do cardápio.
- Capacidade da cozinha. Uma estrela que prende a chapa na sexta à noite atrasa as outras comandas; a matriz não vê minutos no pico. Raciocínio nosso: pergunte à praça quais pratos travam o serviço.
- Substituição. O cliente troca um prato por outro. Suba o preço de um burro de carga e parte das mesas pode ir para um prato mais barato. Noone e Cachia, com dois anos de dados de 48 unidades de uma rede americana de steakhouses, propuseram considerar esses substitutos nas decisões de preço e de posição (2020).
- Amostra pequena. Um prato que vende 30 por mês muda de quadrante com um único aniversário de vinte pessoas. Com contagens baixas, use um período maior e não decida com uma rodada só.
Outros modelos
Kasavana e Smith não foram os primeiros. O modelo de Miller, de 1980, classificava por popularidade e custo dos insumos, e Kasavana e Smith trocaram o custo pela margem de contribuição, segundo a revisão de literatura da Deturope. No Brasil, Oliveira e Cardoso aplicaram o modelo de Miller a uma padaria em 2020, com os quadrantes vencedores, marginais II, marginais III e perdedores. A análise de custo e margem de Pavesic (1983) classifica pelo custo de produzir e pelo que o prato contribui. Cada modelo tem os próprios nomes; não misture os rótulos.
Com que frequência rodar
A AHLEI orienta revisar o cardápio duas vezes por ano e acompanhar os resultados a cada trimestre. O infográfico do Sebrae RS fala em semestralmente, ou quando entram receitas novas, um prato é reformulado ou as vendas oscilam. Entre revisões, uma rodada de quatro semanas depois de cada mudança mostra se ela deu certo.
Onde o Platevio entra (e onde não entra)
Sem rodeio: o Platevio não faz engenharia de cardápio. Não tem análise por item, relatório de mix de vendas nem curva ABC. Não soma quantidades vendidas por prato nem por período, não calcula CMV e não faz conta de margem. Também não monta ficha técnica nem controla estoque. A matriz, as linhas e a planilha acima ficam numa planilha ou no papel.
O Platevio é um sistema de PDV para restaurantes que roda no navegador, para pedidos, cozinha, salão e conta. Algumas coisas dele ajudam sem fazer o trabalho por você:
- O registro de cada pedido. Cada pedido fica guardado com itens e adicionais, como foi enviado à cozinha e como foi pago, e pode ser lido de qualquer navegador, de qualquer lugar. É dali que você tira o que vendeu. A contagem é sua.
- Preço que muda de qualquer aparelho. Quando a matriz pede R$ 2,00 a mais num burro de carga, quem tem permissão ajusta o preço, renomeia o prato ou reescreve a descrição pelo celular, tablet ou notebook.
- O preço fica copiado no pedido. Cada pedido guarda o preço do momento em que foi feito, então mudar o preço no meio do serviço não altera o que as contas abertas custam.
O que ele não faz: não tem preço programado nem promoção, então toda mudança de preço é feita à mão, e não tem foto no cardápio. Se o resto serve para o seu jeito de trabalhar, o preço do Platevio é curto: Gratuito. Sem cartão, sem plano.